O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa,
garantiu neste domingo (28), em entrevista ao jornal O Globo, que não
tem a pretensão de se tornar presidente da República. Ele afirmou que
nunca pensou em se envolver com política e avaliou sua alta popularidade
em pesquisas de opinião como “manifestações espontâneas da população”.
A entrevista, feita pela repórter Míriam Leitão, também abordou racismo e
as maneiras como o ministro sofreu discriminação ao longo de sua
carreira. Para ele, o Brasil não está preparado para um presidente
negro. “Acho que ainda há bolsões de intolerância muito fortes e não
declarados (no país)”, explicou. Barbosa citou as reportagens do jornal
Folha de São Paulo, que teriam exposto seu filho e violado sua
privacidade ao falar da compra de um imóvel nos Estados Unidos. Segundo o
presidente do STF, esse tipo de exposição da sua vida pessoal é muito
maior do que a sofrida por outros que ocuparam o mesmo cargo. “Os
jornais e jornalistas têm limites. São esses limites que vêm sendo
ultrapassados por força desse temor de que eu eventualmente me torne
candidato”, afirmou.
Barbosa definiu sua inclinação política como “social democrata à
europeia” e criticou a gestão de gastos no Brasil. Ele elogiou a
existência de ações afirmativas, como as cotas sociais e raciais, cuja
aprovação considerou a mais surpreendente “entre as inúmeras decisões
progressistas do Supremo”. A lei de cotas ter sido aprovada por
unanimidade no STF e o que foi dito pelos ministros, que reconheceram a
existência de racismo no país, foi “um momento único na história do
Brasil”, na avaliação de Barbosa. De acordo com ele, a discussão aberta a
respeito do racismo é a única forma de superá-lo.

























