Rosalba
Ciarlini, do DEM, acabou sendo a responsável por atrasar o julgamento
de um dos maiores escândalos na gestão da ex-governadora – e adversária
política – Wilma de Faria, do PSB. Explica-se: a análise das contas de
2012 da atual governadora Rosalba impediu que o conselheiro Renato Dias,
do Tribunal de Contas do Estado (TCE), se dedicasse ao complexo
processo de cerca de 70 volumes referentes à construção da Ponte de
Todos – Newton Navarro, que pode ter sido superfaturada. Agora, a
previsão é que o processo seja levado ao plenário apenas no final de
agosto ou início de setembro.
Essa
é a terceira "previsão" de julgamento do processo da Newton Navarro. No
final do ano passado, quando o processo finalmente voltou ao gabinete
do conselheiro Renato Dias, após quase quatro anos no corpo instrutivo
do TCE, a previsão era que ele fosse julgado até o meio deste ano.
Porém, o processo precisava ainda de análise do Ministério Público de
Contas e foi para lá que ele foi. Retornou apenas em abril, com um
parecer "divergente" daquele apresentado pelo corpo instrutivo.
Nos
pareceres apresentados até o momento, o corpo instrutivo do TCE apontou
que houve um superfaturamento de, aproximadamente, R$ 20 milhões na
construção da Newton Navarro.
Divergente
em muitos aspectos dessa análise, o então procurador-geral do MP junto
ao TCE, Thiago Guterres, analisou que o "superfaturamento" tinha sido
bem menor, de pouco mais de R$ 1,6 milhão. "Considerando a comprovada
ocorrência de omissão ao dever constitucional de prestar contas, tendo
por alvo que os pagamentos decorrentes das notas de empenho '2007NE017? e
'2007NE028? resultaram num dispêndio público de R$ 1.616.625,36,
desacompanhados de qualquer nota fiscal hábil a atestar a regularidade
da sua destinação substancial", colocou.
No
parecer, que excluiu Wilma de Faria (assim como naquele feito pelo
corpo instrutivo) da lista de "réus", foi pedida a condenação de membros
do primeiro escalão da gestão da ex-governadora, entre eles, o atual
deputado estadual, Gustavo Carvalho, do PSB, e o ex-secretário de
Infra-Estrutura, Adalberto Pessoa, Carlos Cabral Freitas de Macedo e
Ulisses Bezerra Filho.
Dessa
forma, segundo Renato Dias, seria preciso uma análise mais detalhada do
processo. Uma dedicação quase exclusiva, que ele não pode dar por ter
recebido, na mesma época que o processo voltou para o gabinete dele, a
ação de análise das contas de 2012 do Governo do Estado, já na gestão
Rosalba Ciarlini. "Estava previsto, mas como as contas de Rosalba, que
fui o relator, não pude me dedicar totalmente ao processo da ponte, que é
muito complexo e precisa dessa dedicação. Agora, como conseguimos
terminar a análise do processo do Governo, poderemos nos dedicar mais ao
da Ponte e levá-lo a julgamento no TCE até o final de agosto",
justificou Renato Dias.
Fonte:São Vicente em Foco

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